Marketing
Estratégia de marketing mensurável: como construir passo a passo
Muitas empresas fazem muito marketing e entendem pouco dele. Publicam nas redes sociais, fazem campanhas, mandam newsletters, participam de feiras. Cada atividade, isolada, tem seu sentido. Mas se você pergunta ao dono quanto custa adquirir um cliente, ou qual canal traz os melhores clientes, a resposta vem depois de uma longa pausa, e muitas vezes é uma impressão.
Uma estratégia de marketing mensurável serve para fechar essa distância. Significa saber o que você está tentando alcançar, quanto está disposto a gastar para alcançar e como vai saber, em intervalos regulares, se está indo na direção certa. Não exige ferramentas sofisticadas. Exige algumas escolhas feitas com clareza e mantidas ao longo do tempo.
Neste artigo mostro como construir um marketing mensurável e sustentável, passo a passo: dos objetivos ao posicionamento, da escolha dos canais ao funil, até métricas, orçamento e revisão periódica. Com um exemplo prático e os erros a evitar.
Partir de objetivos ligados ao negócio
O primeiro passo não é sobre marketing. É sobre o negócio. Quantos clientes novos você precisa este ano? De que tipo? Com qual valor médio? O marketing mensurável nasce daqui, porque um objetivo como “aumentar a visibilidade” não pode ser verificado, enquanto “conquistar 8 novos clientes por mês com valor médio de pelo menos € 3.000” pode.
No meu trabalho sempre peço para raciocinar de trás para frente. Parte-se do faturamento que se quer gerar com os clientes novos e se refaz o caminho:
- quantos clientes são necessários para chegar a esse faturamento;
- quantas negociações são necessárias, considerando a taxa de fechamento atual do comercial;
- quantos contatos qualificados são necessários para gerar essas negociações;
- quantos contatos no total são necessários, considerando quantos costumam ser adequados.
Esse cálculo, mesmo feito com números aproximados, muda o tom da conversa. O marketing deixa de ser um centro de custo difícil de avaliar e passa a ser uma função com uma tarefa precisa. Se faltam números históricos, parte-se de estimativas razoáveis e corrige-se depois do primeiro trimestre. Melhor um objetivo imperfeito do que nenhum objetivo.
Posicionamento e mensagem antes dos canais
O segundo passo é o que as pessoas tendem a pular. Antes de decidir onde comunicar, é preciso decidir o que dizer e para quem. Se o posicionamento é vago, nenhum canal vai funcionar bem, porque vai atrair pessoas genéricas com uma mensagem genérica.
Um posicionamento útil responde a três perguntas de forma específica:
- Para quem você trabalha: setor, porte, situação típica do cliente ideal.
- Qual problema você resolve, descrito com as palavras que o cliente usaria, não com as da linguagem interna da empresa.
- Por que você e não uma alternativa, incluindo a alternativa de não fazer nada.
Do posicionamento nasce a mensagem principal, que precisa ser coerente em todo lugar: site, anúncios, apresentações comerciais, conversas por telefone. Com os clientes vejo com frequência que o site diz uma coisa, as campanhas outra e o comercial uma terceira. Nessa situação medir não adianta muito, porque você está comparando três mensagens diferentes sem saber.
Há também uma vantagem prática. Uma mensagem clara deixa os resultados mais legíveis. Se você fala com um público definido, percebe na hora se um contato está no perfil ou não, e esse é o primeiro dado de que você precisa para avaliar um canal.
Poucos canais e um funil legível
Escolher os canais
Um dos erros mais comuns é estar presente em todo lugar com pouca força. Seis canais cuidados pela metade produzem menos do que dois canais bem trabalhados e, sobretudo, são impossíveis de medir com seriedade: o orçamento de cada um é pequeno demais para tirar conclusões.
Minha regra é começar com dois canais principais e no máximo um canal de teste. Para escolhê-los, olho três critérios: onde o cliente ideal se informa quando tem o problema que você resolve, o quanto o canal é coerente com o ciclo de vendas (um serviço que exige meses de avaliação não se vende com um anúncio de duas linhas) e quais competências e recursos você realmente tem para mantê-lo com continuidade.
O canal de teste merece uma regra à parte. Antes de ativá-lo, escreva em uma folha o que você espera, quanto orçamento vai dedicar a ele e por quanto tempo. Por exemplo: três meses, € 600 por mês, meta de pelo menos 5 contatos qualificados por mês. No prazo, você o avalia em relação a esses limites. Se os supera, ele entra entre os canais principais e recebe orçamento do mais fraco. Se não os supera, você o encerra sem arrependimentos. Sem esses limites definidos com antecedência, os testes tendem a ficar abertos para sempre, porque sempre há um motivo para dar mais um mês.
Desenhar o funil
O funil é o caminho que leva uma pessoa de desconhecida a cliente. Para ser mensurável, ele precisa ter poucas etapas, com uma definição clara do que significa passar de uma para outra. Por exemplo: contato, contato qualificado, primeira reunião, proposta, cliente. Para cada etapa é preciso um critério compartilhado entre marketing e comercial. Se o marketing considera qualificado qualquer um que preencha um formulário e o comercial só quem tem um orçamento definido, os números nunca vão bater.
Com um funil assim você consegue ver a taxa de passagem entre cada etapa e identificar onde se perde a maioria das pessoas. É ali que vale concentrar os esforços, antes de colocar mais tráfego no topo.
Métricas, orçamento e ritmo de revisão
Poucas métricas, ligadas ao funil
Para um marketing mensurável bastam poucas métricas, escolhidas porque estão ligadas às etapas do funil e ao resultado econômico. As que uso com mais frequência como base são o número de contatos qualificados por canal, a taxa de conversão entre as etapas principais, o custo de aquisição de cliente e o valor médio do cliente. Todo o resto, de visualizações a cliques, pode ser útil para quem gerencia um canal específico, mas não deveria orientar as decisões da diretoria. Se você quer um sistema de leitura mais estruturado, é o que monto com um dashboard de KPIs de marketing e vendas.
Um orçamento coerente com os objetivos
O orçamento deve ser calculado a partir de quanto você pode se permitir gastar para adquirir um cliente. Se um cliente vale, por exemplo, € 3.000 de margem no primeiro ano, você pode decidir gastar no máximo € 750 para adquiri-lo. Multiplicando pelo número de clientes da meta, você chega a um orçamento com uma lógica clara. O resto é questão de distribuição: a maior parte para os canais que funcionam, uma parcela pequena e definida para os testes.
O ritmo de revisão
A mensuração só serve se leva a decisões. Por isso proponho três ritmos diferentes:
- Semanal, 20 minutos entre marketing e comercial: contatos recebidos, qualidade, eventuais anomalias.
- Mensal, com a diretoria: andamento do funil, custo por cliente, andamento em relação à meta.
- Trimestral: decide-se o que continuar, o que corrigir e o que interromper, e redistribui-se o orçamento.
Cada encontro precisa terminar com uma decisão, mesmo pequena: mudar uma parte do orçamento, reescrever um anúncio, esclarecer com o comercial um critério de qualificação. Se uma reunião termina com “vamos ficar de olho” três vezes seguidas, esse tema deve ir para a revisão trimestral e ser resolvido lá. Também vale manter um breve registro das decisões tomadas, com a data e o motivo. Depois de seis meses, ele vira uma ferramenta valiosa para entender quais escolhas funcionaram e quais não.
É aqui que está também a sustentabilidade. Um marketing sustentável é aquele que a equipe consegue levar adiante sem sufoco, com uma carga de trabalho realista e decisões tomadas em intervalos regulares em vez de sob pressão.
Um exemplo prático
Imagine uma empresa que vende um software de gestão para escritórios profissionais, com uma assinatura anual de cerca de € 3.600. Ela gasta € 6.000 por mês em marketing, distribuídos em seis canais: duas redes sociais, campanhas em buscadores, uma newsletter, patrocínio de eventos do setor e uma agência que produz conteúdo. Recebe um bom número de contatos, mas os clientes novos oscilam entre 3 e 9 por mês sem uma explicação clara.
Parte-se da meta: 8 novos clientes por mês. O comercial fecha mais ou menos um cliente a cada quatro demonstrações, então são necessárias 32 demonstrações. Cerca de metade dos contatos qualificados aceita uma demonstração, então são necessários 64 contatos qualificados por mês. Com um custo máximo de € 750 por cliente, o orçamento de € 6.000 é coerente com a meta. O problema não é quanto se gasta, e sim onde.
Reconstruindo os dados dos últimos meses, descobre-se que a maior parte dos clientes vem de duas fontes: as campanhas em buscadores para pesquisas muito específicas e os eventos do setor. As redes sociais geram muitos contatos, mas quase nenhum chega à demonstração. A escolha fica simples: concentrar cerca de 80% do orçamento nos dois canais que trazem clientes, deixar 10% para um teste bem definido e reduzir o resto ao mínimo. Em paralelo, reescreve-se a página principal do site para falar com escritórios de um certo porte, que são os clientes que renovam com mais facilidade.
Depois de três meses, na revisão trimestral, a empresa sabe quanto custa um cliente em cada canal e pode decidir com números se aumenta, mantém ou realoca o orçamento. Esse é o ponto de chegada: não a perfeição, mas a possibilidade de escolher sabendo o que está acontecendo.
Erros a evitar
- Medir tudo. Vinte métricas em um relatório criam a ilusão de controle. Bastam cinco ou seis, bem escolhidas.
- Julgar um canal cedo demais. É preciso um período e um orçamento suficientes para tirar conclusões. Um mês com poucas centenas de euros quase não diz nada.
- Parar nos contatos. Se você não liga os dados de marketing aos de vendas, não sabe quais canais trazem clientes.
- Mudar de direção todo mês. Uma estratégia que muda a cada reunião não pode ser medida, porque nenhuma escolha dura o suficiente para ser avaliada.
- Montar um plano que a equipe não consegue sustentar. Um calendário ambicioso demais é abandonado em poucas semanas, e a mensuração vai junto.
Por onde começar
Se o seu marketing hoje parece pouco legível, o ponto de partida é entender o que está acontecendo de verdade, antes de mudar canais ou orçamento. Uma auditoria de marketing serve exatamente para isso: identificar o gargalo e decidir em que ordem agir.
A partir daí se constrói o resto: objetivos, mensagem, canais, funil, métricas e ritmo de revisão. É o caminho que sigo nos projetos de consultoria de marketing com PMEs, startups e scale-ups, presencialmente ou a distância. Se você está em Roma ou arredores, encontra mais detalhes na página dedicada à consultoria de marketing estratégico. Me escreva para contar a sua situação e descobrir juntos por onde começar.
Perguntas frequentes
O que se entende por marketing mensurável?
Um marketing em que cada atividade está ligada a um objetivo de negócio e é avaliada com poucas métricas ligadas ao funil e ao custo de aquisição de cliente. Serve para decidir onde investir com base em números, não em impressões.
Quantos canais de marketing uma PME deveria usar?
Na maioria dos casos vale começar com dois canais principais bem trabalhados e no máximo um canal de teste. Poucos canais permitem medir com seriedade e concentrar os recursos.
Com que frequência revisar uma estratégia de marketing?
É útil uma conversa semanal curta entre marketing e comercial, uma leitura mensal com a diretoria e uma revisão trimestral em que se decide o que continuar, corrigir ou interromper.
Como se calcula o orçamento de marketing?
Parte-se de quanto se pode gastar para adquirir um cliente, com base na margem que esse cliente gera, e multiplica-se pelo número de clientes da meta.